Como ser redator freelancer e vender seus textos

mulher escrevendo em laptop, xícara de café ao lado - como ser redator freelancer

Como ser redator freelancer e vender seus textos

Ser redator freelancer é um tipo de trabalho muito comum entre os nômades digitais. É algo que pode ser feito de qualquer lugar do mundo, os horários são flexíveis e o resultado é bem mais rápido do que criar um blog e construir uma audiência.

 

O que é um redator freelancer

O redator freelancer é um profissional contratado por uma empresa para a elaboração de textos. Ele não é um funcionário fixo da empresa, que recebe salário mensal, o redator freelancer recebe por trabalho realizado (por job).

O mais comum é que as empresas contratem redatores para escrever para plataformas digitais (blogs, redes sociais ebooks, newsletters), do que para meios impressos. A imprensa (revistas, jornais e sites jornalísticos) também contratam freelancers para escrever posts e matérias, porém a oferta de trabalho é menor nesse segmento.

O que estudar para ser freelancer

Não é necessário ser formado em Jornalismo ou Publicidade para trabalhar escrevendo como freelancer, embora isso ajude. Eu já trabalhava como jornalista antes de ser redatora freelancer e isso foi bom pois eu já conhecia as técnicas de redação.

Existem muitos redatores formados em Letras ou Relações Públicas. Há empresas de tecnologia, finanças e outras áreas que buscam redatores que entendam profundamente desses assuntos e contratam profissionais de TI, Engenharia ou Economia como freelancers.

Ou seja, a formação acadêmica não é o mais importante para conseguir jobs como redator freelancer.

O importante é ter conhecimento prático em algumas áreas: além que escrever bem, você precisa entender sobre marketing de conteúdo, que é a estratégia de usar conteúdo para atrair clientes.

As empresas mantêm blogs, redes sociais e outros canais para impactar positivamente o público-alvo e, no fim das contas, vender. Então, além de ter um bom texto, você precisa saber fazer um conteúdo que gere resultado para a empresa que está contratando você.

Como eu me tornei redatora freelancer

Até 2014, eu tinha um emprego fixo e não fazia freelas de redatora. Quando fui demitida e decidi dar uma reviravolta na carreira, meu primeiro plano foi trabalhar como jornalista freelancer, vendendo matérias para a imprensa. Mas não deu certo – e eu conto esse “case de insucesso” no post sobre meus cinco anos como nômade digital.

Até então, não tinha me passado pela cabeça escrever para empresas, ao invés de escrever para a imprensa. Meu primeiro job surgiu meio por acaso e eu passei a escrever posts para o blog de uma agência de turismo. Decidi focar nesse nicho de conteúdo para marcas e buscar outras empresas para fazer freelas. Na época, eu não sacava nada de SEO de marketing de conteúdo e comecei a fazer os primeiros cursos (gratuitos e pela internet).

No início foi meio conturbado, eu ainda não tinha experiências e cometi vários errinhos que atrasaram a minha vida – e eu dou dicas lá no fim do post para você não passar pelo mesmo. Passei perrengue, trabalhei com outras coisas (programação de sites e até vendi brigadeiro no Chile), em um momento, tive que arrumar um emprego fixo, porque o dinheiro dos freelas não era suficiente. A partir de 2018 que as coisas começaram a se estabilizar: eu passei a ter alguns clientes fixos e também a escrever regularmente para o Hostelworld e para a Worldpackers.

Hoje, por causa da pandemia, esses meus contratos para produzir conteúdo de viagem foram cancelados, mas continuo com os clientes fixos das outras áreas.

mulher andando frente a parede com grafitte - como ser redator freelancer

Em 2018, no Chile, já viajando e fazendo freelas

Como ser redator freelancer: por onde começar

Se você está interessado em trabalhar escrevendo como freelancer e não sabe por onde começar, aqui vão oito passos para colocar em prática agora! 

Monte um portfólio

É muito provável que, antes contratar você, o cliente queira ver alguns dos seus trabalhos. O seu portfólio pode ser uma lista de links de textos já publicados (que você manda por e-mail) ou então um portfólio online em sites como Contently e Clippins.me.

Há quem diga que você precisa ter um portfólio online, mas há seis anos eu trabalho com uma lista simples de links (organizados por tema e com uma brevíssima descrição) e funciona muito bem.

Se você já tem textos publicados, reúna os links ou PDFs dos seus melhores trabalhos e vá prospectar clientes. Se você não tem nada publicado, há dois caminhos:

Escreva e publique textos de maneira independente, seja em um blog seu ou em uma plataforma como o Medium.

Ofereça seu trabalho, nem que seja de graça, para montar portfólio. Ofereça seus textos a um amigo ou parente que tem uma empresa que tem um blog. Ou se cadastre em sites para trabalhar como freelancer. Um texto feito para uma empresa “de verdade” tem mais credibilidade e esse “treino” vai ajudar você a entender quais são as demandas de uma empresa quando busca um redator.

Estude!

Além de uma escrita fluida e correta do ponto de vista gramatical, você precisa entender dos paranauês de SEO e marketing de conteúdo. Existem muitos cursos online – inclusive gratuitos – além de e-books, webinars e blogs sobre esses assuntos. Eu recomendo os materiais educativos do Hubspot Academy (em inglês) e da Rock Content.

Quer escrever melhor? Veja cursos grátis de escrita, e-books, podcasts e livros!

Escolha um nicho temático

Se você tivesse um escritório de contabilidade, escolheria a redatora A, que tem um amplo portfólio nesse tema ou a redatora B, que já escreveu um pouquinho sobre vários temas? Provavelmente ficaria com a redatora A, não é?

Quando você se especializa em uma área, além de ter mais credibilidade, consegue fazer textos melhores em menos tempo. É aqui que redatores de outras áreas (Engenharia, Direito, Economia) saem na frente. Eu, por exemplo, me especializei em turismo e agora, seis anos depois, tenho bastante conhecimento na área e um portfólio “convincente”.

Isso quer dizer que você vai escrever APENAS sobre esse tema? Não. A vida de redator freelancer é instável e muitas vezes a gente pega o job que aparece. O que eu quero mostrar é que ter foco é uma estratégia melhor do que sair atirando para todos os lados – eu falo mais sobre isso nesse post sobre como ganhar dinheiro escrevendo sobre viagens.

Identifique possíveis clientes

O trabalho começa mapeando para quais empresas do setor têm blogs corporativos, revistas, newlstetters, etc. Eu foquei no segmento de turismo, então eu busquei agências, seguradoras de viagem, companhias aéreas e outras empresas do setor que tivessem um blog ou revista onde eu pudesse escrever.

Não espere ter uma lista completa para começar a entrar em contato. Senão você não começa nunca. Identifique uns cinco possíveis clientes e mande bala.

É um trabalho de formiguinha e no início, quando a gente não conhece o mercado, é meio desanimador. Mas qualquer empresa ou profissional independente que está começando sua carteira de clientes passa por isso.

Entre em contato com quem decide

Na hora de oferecer o seu trabalho, aquele e-mail genérico contato@empresa.com não serve de nada. Ninguém vai ler, muito menos responder. Você precisa saber quem é a responsável pela contratação de redatores e produtores de conteúdo e mandar o e-mail para ela. É a editora (no caso da imprensa) ou a responsável pelo marketing ou mídias Sociais (no caso de empresas). 

É um trabalho de Sherlock Holmes muitas vezes, mas você acaba descobrindo o e-mail ou o LinkedIn da pessoa. Se você conhece alguém que trabalha ou trabalhou naquela empresa, fale com ela. Cara de pau é um fator importante nesse momento. Um macete que funciona bastante é buscar, nas redes sociais, pessoas que trabalham ou freelam no setor de comunicação ou marketing daquela empresa ou são repórteres daquele meio de comunicação.

Tenha noção do nível do seu trabalho

Não tente freelar logo de cara para a National Geographic, vai trazer só frustração. Comece oferecendo seu trabalho em lugares que divulgam textos mais simples.

Faça um exercício: compare os textos do site que você quer oferecer seu trabalho com o que você produz atualmente:

  • Está no mesmo nível: ótimo, ofereça seu trabalho
  • O site tem fotos melhores que as suas, textos mais completos, assuntos que ultrapassam seu conhecimento: melhor esperar um pouco para abordar essa empresa ou meio de comunicação

Com o tempo, você vai ganhando experiência, a qualidade do seu trabalho melhora, o seu portfólio aumenta e você pode abordar lugares mais exigentes. Acredite no seu potencial, mas tenha consciência das suas limitações.

Ofereça algo objetivo

Um e-mail contando como você é um profissional talentoso e dizendo que tem interesse em prestar serviço para aquela empresa geralmente vai para a lixeira. Ao invés disso, ofereça uma sugestão de pauta: um detalhamento dos principais pontos do post/matéria que você quer escrever (dois parágrafos curtos bastam).

Para não oferecer algo que já foi publicado ou que não encaixa na linha editorial, conheça o blog/jornal/revista. Leia posts do blog ou algumas edições da revista/jornal para entender qual é a pegada. Sim, dá trabalho, mas a gente só consegue o job oferecendo algo bom para o possível cliente.  Aquele e-mail genérico que você manda “rapidinho” pra dez empresas nunca vira trabalho.

Converse com quem já é redator freelancer

Colegas que trabalham na área podem te dar dicas de como abordar empresas e imprensa, quais temas estão em alta, uma noção sobre remuneração e outras coisas. Agradeço a todos os meus amigos que foram atazanados por mim com mil perguntas em uma mesa de bar, porque só com as dicas deles eu entendi coisas sutis que fazem parte da dinâmica de quem produz conteúdo de viagens. Os conselhos me ajudaram a bater menos cabeça, diminuir expectativas e ajustar minha estratégia.

Seja persistente

Já deu para entender que os jobs não caem do céu, principalmente no início, quando você ainda não é conhecido no mercado e não tem uma carteira de clientes. No contato com possíveis clientes a gente recebe muito não ou é ignorada, mas é só “batendo na porta” dos clientes e mandando sugestão de pauta que os trabalhos aparecem.

A grande maioria dos profissionais independentes passa por isso. Ou você acha que um arquiteto, por exemplo, não faz vários orçamentos e depois ouve que não foi escolhido para o projeto?

Com o tempo as coisas melhoram: você ganha mais experiência, aumenta a rede de contatos, passa a ser indicado com mais frequência e começa a ter trabalhos recorrentes. Enquanto isso, seja persistente e vá atrás dos jobs.

Sites para trabalhar como freelancer

Muitos sites fazem a ponte entre freelancers e empresas. Você se cadastra e pode aplicar aos trabalhos que aparecem na sua área. A cada job feito você é avaliado pelo contratante e vai se formando um ranking dos “melhores freelas” em cada área. Alguns sites que operam assim são:

Você não precisa passar por todo esse processo de identificar empresas, descobrir o contato do decisor, mandar e-mail, blá blá blá. As vagas estão todas lá, é só aplicar, não é perfeito?

NÃO MESMO.

Na prática, são muitos freelancers aplicando para cada job e, por isso, os contratantes pagam valores irrisórios pelo trabalho. Pouca grana mesmo, tipo R$20 por um texto exclusivo e já otimizado para SEO. O começo é especialmente difícil: para conseguir os primeiros trabalhos e ter alguns reviews, é necessário trabalhar quase de graça. Alguns sites ainda cobram uma taxa mensal que varia de R$15 a R$60.

Na minha opinião, e de alguns amigos que também são redatores freelancers, esses sites não valem a pena. Pode ser uma boa opção para ter alguns primeiros textos como portfólio mas não para se manter trabalhando. O pagamento é muito baixo e você precisaria ter um fluxo MUITO grande de jobs para tirar um salário decente. Eu não conheço nenhum redator freelancer que viva (ou seja, pague as contas) de trabalhos conseguidos por meio dessas plataformas.

Você já trabalhou ou trabalha como freelancer com os jobs que consegue nesses sites? Compartilhe a sua experiência deixando uma mensagem nos comentários! Eu queria ouvir outras opiniões.

Quanto se ganha por um artigo de viagem

Basicamente existem dois esquemas (de contratação e pagamento): um adotado pelas empresas e outro pela imprensa.

Esquema empresas

Em geral, se paga um preço fixo pelo post, sem espaço para negociação. Você oferece um tema, eles aceitam, você entrega o texto e recebe o pagamento.

Se você está começando, procure trabalho aqui. Esse tipo de cliente é menos exigente com o conteúdo do que a imprensa, mas você precisa entender de SEO. Lugares que pagam mais de 200 reais por texto (já otimizado) são raros. O padrão é que se pague entre 60 e 150 reais por texto.

Existe também a possibilidade de entrar em contato diretamente com a equipe de marketing de uma empresa e fechar um pacote mensal de textos. Aí você passa a ser um “freela fixo” da empresa. Às vezes se agregam outros serviços, como gestão de mídias sociais ou manutenção do site. Nesse caso o preço varia bastante, em função do número de textos e outros serviços agregados.

Esquema imprensa

No caso de revistas, jornais e sites jornalísticos, não espere que o editor te diga o assunto que você vai escrever. Faz parte do seu trabalho encontrar um tema interessante, isso se chama sugestão de pauta. A remuneração é negociada diretamente com o editor. O valor pago pela matéria depende de muitos fatores (ineditismo da pauta, quantidade de fotos e gastos para fazer a matéria, por exemplo). As remunerações começam de uns 200 reais e podem ir até 2 ou 3 mil, em casos muito pontuais.

A imprensa é um nicho mais difícil de entrar, especialmente se você não é jornalista. Geralmente os meios de comunicação só contratam freelas que já são conhecidos do editor (geralmente ex repórteres de lá) e o nível de exigência é alto.

Tem alguma dúvida quer compartilhar sua experiência como redator freelancer? É só perguntar nos comentários! Se quiser conversar sobre algum job, mande um e-mail para mila@saiapelomundo.com.br <3

2 Comments
  • Isabela Starepravo
    Posted at 14:38h, 06 agosto Responder

    Amei o texto e as dicas! Já trabalhei como freela para imprensa, mas no momneto estpu buscando outras coisas.

    • Mila de Oliveira
      Posted at 17:37h, 06 agosto Responder

      Eu ainda escrevo para imprensa de vez em quando, mas consegui um fluxo de trabalho maior quando passei a escrever para empresas. Não sei se faz parte do seus planos 🙂

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