É seguro viajar para a Bolívia? (dicas gerais)

É seguro viajar para a Bolívia? (dicas gerais)

Viajar para a Bolívia é mais seguro do que se imagina. No final de 2015 eu passei 42 dias por lá (aqui tem mais das minhas andanças) e achei mais tranquilo que as cidades brasileiras. Não passei por nenhum furto, roubo ou qualquer coisa que ameaçasse a minha integridade física. Mas isso não significa que estamos a salvo sempre. Nesse post vão algumas dicas de segurança que servem para homens e mulheres. Para as meninas viajantes, tem mais informações nesse texto.

Estatísticas de segurança na Bolívia

Pra começar, a Bolívia tem índices de violência baixos, apesar da pobreza. No ranking da ONU de homícidios intencionais de 2014, o país tem 9 por mil habitantes, beeem atrás do Brasil que tem 25 homicídios por mil. No ranking das 50 cidades mais violentas do mundo (divulgado em 2015 também pela ONU) a Bolívia não aparece. Já o Brasil tem 21 cidades na lista. Se você não viaja para a Bolívia por medo repense, lá pode ser mais seguro do que onde você mora.

Roubos e furtos

Saindo dos números, a minha experiência pessoal é que é difícil ouvir uma história de assalto na Bolívia. No tempo que estive lá só ouvi uma história: um grupo de três australianos (duas mulheres e um homem), amigos de um roomate no albergue de La Paz, tiveram as mochilas tomadas em Cochabamba. O que é muito, muito comum são furtos (quando o ladrão leva alguma coisa sem que a vítima perceba). Tanto roubo quanto furtos são mais comuns em cidades maiores como La Paz, Cochabamba e Santa Cruz. Ah, Os bolivianos não são muito boêmios então o movimento das ruas cai bastante à noite.

Nós brasileiros temos um consolo: o cuidado que a gente tem que tomar para não ser furtado no Brasil é suficiente por lá. Se você sobrevive aos grandes centros urbanos aqui, vai achar seguro viajar pela Bolívia.

Gringo é mais visado

Porém, você que pega metrô todo dia no Brasil e não é furtado, tem que enfrentar uma nova realidade na Bolívia: você é gringo, my friend. Ou seja, é visto como uma nota de dólar ambulante. Você pode até fazer cosplay de Tom Hanks náufrago na sua viagem, mas os bolivianos vão achar que você carrega muita grana, uma câmera cara e um celular de última geração. Esse último ponto pode ser verdade, pois os bolivianos em 2015 ainda estavam na era do Nokia do jogo da cobrinha (fiquei saudosa, devo confessar). Trocando em miúdos: você é um alvo mais provável que um boliviano, mas isso não quer dizer que vá ser assaltado ou furtado em cada esquina.

Maracutaias: notas falsas e golpes

Uma coisa muito provável é tentarem te enrolar. E isso vai desde aquele comportamento padrão de lugares turísticos de tentarem te cobrar mais caro pelas coisas até sequestros. Mas calma, golpes sérios são raros. O máximo que aconteceu comigo lá foi eu ter percebido que eu tinha pago 10 bolivianos a mais em um ônibus interestadual que custava 70. Nada demais. Das pessoas que eu conheci na viagem, quase todo mundo sofreu essas pequenas enrolações mas nenhum golpe de verdade (só o da polícia que eu conto no próximo tópico).

Um golpe comum é o dinheiro falso. Cédulas frias são uma realidade no país – para turistas e locais. Pior que te darem uma nota dessas de troco e é receber dinheiro falso no câmbio. Se isso acontece você perde uma parte ou toda a grana que trocou. Tem dicas de como evitar essa maracutaia lá no fim do post

Cartaz de um pub em La Paz

Cartaz de um pub em La Paz

Táxis

Eu não soube de nenhuma história de extorsão ou sequestro envolvendo taxistas. Nos albergues que eu fiquei eu sempre perguntava sobre a segurança nesse quesito e a resposta era sempre a mesma: é seguro. O que pode acontecer é tentarem te enrolar no valor da corrida. Na Bolívia não tem taxímetro, o preço é acertado com o motorista. Minha experiência pessoal foi que pouquíssimos tentaram superfaturar a corrida.

 Maracutaias “oficiais”

A corrupção é uma realidade na Bolívia. Isso somado ao senso comum de que os gringos tem muita grana resulta que muitos policiais e agentes governamentais se aproveitam do desconhecimento que os estrangeiros têm da legislação, idioma e costumes locais para tentar extorquir dinheiro. Eu não passei por nenhum perrengue desse tipo mas presenciei um. Em Santa Cruz, um turista alemão do hostel que eu me hospedei foi detido porque portava a cópia do passaporte e não o original (o que não é obrigatório pela lei boliviana). Os policiais estavam pedindo 2000 bolivianos (uns 1200 reais pelo câmbio da época) pra liberá-lo e não deixavam ele ligar pra embaixada ou pro hostel. Traduzindo: ele foi sequestrado pela polícia. Esse tipo de extorsão é mais raro. O mais comum é o agente inventar que você infringiu uma lei e pedir que a multa seja paga pra ele. A vacina contra febre amarela é recomendada mas não é obrigatória para entrar na Bolívia (só quanto as autoridades sanitárias estabelecem situação de risco) então você não pode ser multado ou retido na imigração por esse motivo.

Dicas práticas pra evitar dor de cabeça

  •  Evite andar sozinho por ruas pouco movimentadas. Em geral após às 20h elas ficam desertas, mas varia de cidade pra cidade. Se for andar na madruga, vá em grupo.
  • Atenção redobrada se você for para El Alto, é uma periferia meio barra-pesada. Evite ir à noite, principalmente de transporte público e ainda mais sozinho (nesse caso, não vá mesmo).
  • Aqueles cuidadinhos que a gente toma no Brasil valem lá também: não deixar carteira e celular à vista nos bolsos/bolsa, cuidado redobrado com a mochila em transporte público e aglomerações, esse tipo de coisa.
  • Não deixe coisas de valor nem passaporte no quarto ou recepção do hotel ou albergue, pode rolar um furto. Utilize os lockers/cofres.
  • Na hora de trocar dinheiro, prefira as casas de câmbio aos cambistas ambulantes.
  • Informe-se sempre no seu albergue/hotel (ou no centro de informações turísticas) onde é um lugar bom para trocar dinheiro. Em geral eles têm dicas de lugar (ou região) seguro e com taxas razoáveis.
  • Cheque nota por nota quando receber o dinheiro, ainda na casa de câmbio: eles não aceitam reclamações posteriores.
  • Quando for pegar um táxi, pergunte a alguém no hotel/restaurante/museu/etc que você estiver quanto custa a corrida até o seu destino. Em geral eles sabem informar.
  • Sempre, sempre combine o valor do táxi antes da corrida. Senão podem te cobrar qualquer valor e você não tem como argumentar.
  • Se você parar um táxi na rua e ele te cobrar um preço muito alto, agradeça e dispense o taxi. Isso é normal, o taxista não se sente ofendido.
  • Leve sempre o telefone da embaixada (ou consulado) brasileiro no país. Essa informação você encontra no site do Ministério das Relações Exteriores. Mas isso é só pra casos graves, como o perrengue que o alemão passou.

Se você é uma mulher viajante veja nesse texto dicas sobre a nossa segurança na Bolívia.

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